Laudos do IML apontam ‘asfixia mecânica’ para morte de jovens em massacre de Paraisópolis

POR: ÉPOCA/G1 – Pelo menos dois laudos do Instituto Médico Legal (IML) apontam a mesma causa de morte para as vítimas do massacre decorrido de ação da polícia num baile funk no bairro de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, na madrugada do último domingo (01/12). Segundo o exame de necropsia, Luara Victoria Oliveira, de 18 anos, e Dennys Guilherme dos Santos Franco, de 16 anos, morreram por “asfixia mecânica por sufocação indireta”.

Luana e Dennys são dois dos nove mortos na operação policial. Um tio da estudante, que não quis ser identificado, disse que teve dificuldade para ver o corpo da sobrinha no IML. Ela foi enterrada na tarde desta segunda-feira (02) no Cemitério Campo Belo, na Zona Sul da capital paulista.

— Eles mal deixaram a gente ver ela. Não descobriram todo o corpo porque estava todo machucado. A gente deu uma olhada e eles pediram pra gente sair — afirma ele.

Patrícia Maceratesi Oliveira, tia de Luana, declarou não acreditar na versão da polícia de que as noves vítimas morreram pisoteadas durante a confusão. Segundo a Polícia Militar, as vítimas morreram depois de uma perseguição seguida de troca de tiros.

— O sentimento é de ódio. Aquilo foi uma chacina. Eu não posso provar o que os policiais fizeram, mas naqueles vídeos dá pra ver eles abordando os jovens naquele beco, batendo neles. Aquilo dói. Eu não acredito em polícia. Eu acredito em Deus — diz ela.

Segundo Patrícia, que diz ter sido a primeira a chegar ao IML Sul para reconhecimento do corpo, todos laudos indicam a mesma causa de morte. Outras duas vítimas foram socorridas com lesões no posto da Assistência Médica Ambulatorial (AMA) de Paraisópolis, segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

Familiares de Dennys Guilherme, de 16 anos, têm a mesma visão sobre o ocorrido. Segundo relatos, ele foi pisoteado em um dos becos da favela de Paraisópolis enquanto tentava escapar da ação policial que dispersava os jovens. Já desmaiado, um dos seus amigos teria tentado prestar socorro, mas o policial teria apontado uma arma em sua direção e ordenado que corresse embora. A alegação do policial era que os próprios agentes cuidariam dos feridos.

Dennys foi velado e enterrado no Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste da capital paulista. Aos 16 anos, ele trabalhava como jovem aprendiz em uma empresa de telemarketing, e também estudava.

Segundo seus parentes, apenas a parte de cima do seu corpo tem ferimentos, enquanto a perna estaria intacta. A cabeça também estaria bastante ferida. Esses sinais, dizem, fazem parentes duvidarem da versão oficial.

O velório foi acompanhado por diversos estudantes, amigos e parentes. O caixão estava lacrado e, sobre ele, foi colocada uma bandeira do Corinthians.

Dados de Paraisópolis

  • 2ª maior favela de São Paulo e 5ª maior do Brasil
  • 10 quilômetros quadrados de área
  • 100 mil habitantes
  • 21 mil domicílios
  • 12 mil moradores analfabetos ou semianalfabetos
  • 31% da população é composta por jovens de 15 a 29 anos, portanto mais vulneráveis à carência de emprego e oportunidades
  • 42% das famílias têm mulheres como responsáveis
  • Renda média de 87% dos chefes de família é de até 3 salários mínimos
  • 21% da população que tem emprego atua no comércio local
  • Aproximadamente 10 mil comércios locais
  • Grande crescimento nos últimos anos
  • Grandes empresas ingressando no mercado local
  • 12 escolas públicas (estaduais e municipais), uma Escola Técnica Estadual (Etec), um Centro Educacional Unificado (CEU), três unidades básicas de saúde (UBS) e uma unidade de Assistência Médica Ambulatorial (AMA)
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