‘Aves de Rapina’ é divertido, bobo, alucinado e sabe não se levar a sério

G1 – Com o sucesso de Arlequina, a personagem de Margot Robbie que foi praticamente a única coisa boa de “Esquadrão Suicida” (2016), um filme solo era questão de tempo. “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa”, como o próprio título indica, se aproveita do desejo do público para apresentar outras super mulheres dos quadrinhos da DC.

O filme, que estreia nesta quinta-feira (06/02) no Brasil, mostra que entende o que levou a antiga vilã do Batman a se tornar uma favorita dos fãs. Assim como ela, é divertido, bobo (mas do jeito certo), alucinado e sabe não se levar a sério demais.

Claro que, entre as explosões coloridas e as cenas belissimamente coreografadas de lutas, a história poucas vezes se importa se está fazendo algum sentido ou não. Com isso, “Aves de Rapina” pode não agradar aqueles que forem ao cinema procurando alguma substância – ou ideias das mais originais.

Ao mesmo tempo em que focar em Arlequina como fio condutor é a escolha mais acertada, o filme também perde a oportunidade de desenvolver mais de suas ricas protagonistas – e tem de se contentar com um dos vilões mais básicos levados ao cinema pela DC.

SUPERA, AMIGA

O roteiro de Christina Hodson, escritora de “Bumblebee” (2018) que já está ligada aos filmes de “The Flash” e “Batgirl”, começa com uma Arlequina desolada pelo fim de seu namoro com o Coringa – que não se digna a dar as caras no filme, sacramentando seu jeitão de “boy lixo” e indicando que a editora pelo jeito desistiu mesmo da versão tatuada de Jared Leto.

Decidida a provar que pode ser dona de sua própria vida, ela percebe que todos aqueles que desagradou de alguma forma nos últimos anos querem vingança agora que não está mais sob a proteção do vilão.

Um deles é o gângster conhecido como Máscara Negra (Ewan McGregor, que parece se divertir muito em seu papel limitado ao lado de Chris Messina, intérprete do assassino Victor Zsasz).

Até o fim de uma jornada sem muito sentido, Arlequina se vê forçada a juntar forças com Renée Montoya (Rosie Perez), uma detetive suspensa da polícia, Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), uma assassina em busca de vingança, e Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell), uma cantora lutadora, para proteger Cassandra Cain (Ella Jay Basco), uma jovem e pequena ladra.

Infelizmente, quando a equipe finalmente se encontra e acerta suas previsíveis diferenças, o filme já foi mais “Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” do que “Aves de Rapina”.

Uma grande oportunidade perdida considerando o potencial das demais, em especial o da anti-heroína de Winstead (“Scott Pilgrim contra o mundo”), personagem com menos tempo de tela mas com maior carisma escondido.

MARGOT LIVRE

Nesse meio tempo, Arlequina e suas futuras parceiras arranjam tempo para flashbacks que podem confundir um pouco o público, mas que dão um certo de dinamismo à narrativa, e para belas sequências de luta e ação.

Colocar Arlequina para enfrentar capangas, no lugar dos monstrengos e deuses de “Esquadrão Suicida”, ajuda muito a anti-vilã – e Robbie parece ainda mais confortável com suas loucuras e humor autodestrutivo. Nem todas as piadas acertam o alvo, mas são tantas que praticamente vencem o público pela insistência.

“Aves de Rapina” não resistiria a uma análise mais aprofundada, mas joga cores, violência e boas sacadas com tanta frequência na cara do público que não há bem tempo para se preocupar com coerência. Isso poderia ser um problema para algum filme querendo parecer “de arte”, mas com uma história contada por Arlequina, chega até a fazer sentido.

Que as demais heroínas saibam aproveitar da oportunidade que receberam da anti-vilã de Robbie, mesmo que dessa vez não tenham recebido muito espaço para brilhar.

 

Comente com o Facebook
Faça sua denuncia ou elogio
Participe do nosso grupo
Page Reader Press Enter to Read Page Content Out Loud Press Enter to Pause or Restart Reading Page Content Out Loud Press Enter to Stop Reading Page Content Out Loud Screen Reader Support