Por que os respiradores viraram o ponto crítico no tratamento da covid-19

Com a pandemia do novo coronavírus, causador da covid-19, a demanda por ventiladores de ar médicos, conhecidos como respiradores, disparou. A doença causa não só febre e tosse como também dificuldade para respirar. Por isso, pessoas contagiadas podem precisar de internação e passam a respirar com a ajuda de aparelhos.

Os respiradores são equipamentos médicos que ajudam as pessoas a respirar quando o sistema respiratório apresenta dificuldades de funcionar plenamente, como acontece com as pessoas que contraem a covid-19 e apresentam quadros clínicos graves. O que esses aparelhos fazem é levar o ar por um tubo na traqueia dos pacientes para os pulmões. Sem esse procedimento, os pacientes podem morrer.

A falta de respiradores já é uma realidade no mundo. A Itália, país que registra mais mortes por causa do novo coronavírus, já teve de escolher os pacientes que teriam acesso aos respiradores. A Coreia do Sul e a China tomaram medidas para testar um grande número de pessoas para a doença e obrigar a população a ficar em casa para conter a curva de crescimento de contágio, de modo a manter a capacidade de atendimento médico minimamente adequada à demanda. No entanto, países como o Brasil correm o risco de colapso do sistema de saúde por causa da falta de leitos e de respiradores. O Ministério da Saúde diz que 43.733 estão à disposição de pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), informa o UOL.

A suíça Hamilton Medical, que lidera globalmente o setor de respiradores, produz, normalmente, 220 ventiladores por semana. Por causa do coronavírus, a empresa passará a fabricar 400 nas próximas semanas. Ou seja, serão 57 por dia ou dois por hora, mesmo para a líder do setor. Países como o Brasil já registram mais de 100 novos casos por dia e, considerando a taxa de letalidade de cerca de 3,7%, só o país já demandaria, pelo menos, quatro respiradores ao dia para pacientes graves.

Em entrevista à revista Americana Wired, Jens Hallek, presidente da companhia, explica que a produção desses equipamentos requer conhecimento específico e precisão na fabricação. “Essas máquinas são extremamente sensíveis e não têm apenas muitos componentes, mas há muito trabalho de software. Se um dos componentes não funcionar corretamente, toda a máquina para e não pode ser mais usada”, disse Hallek.

Diante da pandemia do novo coronavírus, a fabricante americana de dispositivos médicos Medtronic também anunciou que vai dobrar a capacidade de produção e fornecimento de ventiladores de respiração, que são equipamentos fundamentais para pacientes internados em razão da covid-19.

“Nenhuma companhia poderá atender totalmente à demanda global de sistemas de saúde”, afirmou, em nota, Bob White, presidente do grupo de terapias minimamente invasivas na Medtronic.

Empresas como GE Healthcare, Getinge e Philips também se comprometeram a aumentar a produção de dispositivos médicos para atender à necessidade global para oferecer cuidados médicos de qualidade aos pacientes contagiados pelo novo coronavírus.

O presidente global da Philips, Frans van Houten, disse na semana passada que a manufatura da empresa na China começa a se restabelecer e vai aumentar a produção de respiradores, equipamentos médicos de diagnóstico por imagem e monitores de saúde dos pacientes. “Estamos trabalhando em estreita colaboração com nossos fornecedores para garantir o fornecimento de materiais para alimentar nossas próprias fábricas e nossos fornecedores de produtos acabados”, disse o presidente da Philips em comunicado.

Até mesmo as montadoras estão interessadas em entrar na produção desses equipamentos, como é o caso das americanas GM, Ford e Tesla, das alemãs Volkswagen e Daimler e das italianas Ferrari e a Fiat Chrysler Automobiles – pelo menos durante a crise global de saúde pública.

No entanto, as montadoras de veículos ainda precisarão aprender os procedimentos necessários para produzir os respiradores e a eficácia delas na fabricação de equipamentos médicos não é possível de estimar, sendo que a relação entre carros e respiradores é tênue. Com uma vacina a um ano de distância nas estimativas mais otimistas (a vacina para o ebola levou cinco anos para chegar ao mercado), o distanciamento social ainda é a principal arma da humanidade contra a propagação do novo coronavírus.

Com informações de EXAME

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