Professora da UFRB cria jogo de perguntas em família para idosos

Como uma forma de ajudar famílias na convivência com idosos, a Comissão de Enfrentamento da Covid-19 do Centro de Ciências da Saúde (CCS), da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), desenvolveu o jogo ‘Quiz Família’. A atividade é uma proposta para evitar a solidão e a exclusão da pessoa idosa dentro da própria casa durante o período de isolamento social.

O game é uma seleção de perguntas que podem ser feitas para a pessoas mais velhas com o intuito de fomentar o diálogo entre familiares de gerações diferentes. Basta imprimir o tabuleiro disponível neste link e seguir as instruções.

Cerca de 5 perguntas serão feitas por dia para o idoso e ao final da cartela, os outros familiares terão de lembrar a respostas que foram dadas pelo primeiro. Pode ser jogado presencialmente ou por vídeo-chamada.

Quem desenvolveu o jogo foi a professora Doris Rabelo, especializada em Psicologia do Envelhecimento.

“Foi pensando no início na Pandemia de Coronavírus, quando muitas questões surgiram com relação ao convívio com idosos em casa”, explica.

O principal objetivo é possibilitar trocas afetivas com os familiares mais velhos. Assim, a atividade foi desenvolvida para ser jogado em família, com foco na pessoa idosa e nas suas memórias e conhecimentos.

Porém, a especialista sinaliza que o processo de envelhecimento é diferente para cada indivíduo. Por isso algumas perguntas podem não condizer com a realidade de cada família. Mas, segundo ela, para as famílias que acreditarem que podem aplicar a dinâmica em casa, ela vê uma possibilidade de diversão e união.

“Ressaltamos as limitações do jogo, pois a velhice é uma realidade heterogênea e as famílias têm dinâmicas e condições materiais e concretas diferentes. Mas para aquelas famílias que acreditam que é uma alternativa que pode ser utilizada, desejamos que possam se divertir e criar muitas memórias afetivas”

A convivência com familiares idosos requer um cuidado especial. Normalmente quatro fatores são fundamentais para uma boa velhice: capacidade funcional (desempenho em atividades básicas e instrumentais de vida diária), autonomia, rede de suporte social e a participação social do idosos.

Doris Rabelo é docente do Centro de Ciências da Saúde da UFRB, especialista em Saúde da Família. — Foto: Arquivo Pessoal

A professora enumera algumas recomendações da CCS para que os idosos não se sejam isolados do convívio e possam ser melhor integrados ao núcleo familiar:

  • O(a) idoso(a) não é uma criança; é um adulto.
  • Não dê ordens e não utilize o medo para fazê-lo(a) ficar em casa.
  • Ouça. Dê espaço de fala.
  • Ajude-o(a) a estabelecer uma rotina.
  • Inclua-o(a) no cotidiano da família: tarefas, conversas, decisões, lazer.
  • Faça com ele(a) exercícios físicos simples dentro de casa.
  • Compartilhe o que você lê ou vê na internet (busque por fontes confiáveis e restrinja o acesso ao longo do dia).
  • Auxilie no acesso às tecnologias.

No entanto, vale ressaltar que “a velhice não homogeneíza, nem minimiza as desigualdades, como se os problemas enfrentados por velhos (as) fossem exatamente os mesmos e tão semelhantes a ponto de se sobressaírem às próprias trajetórias de vida”, conclui Doris. Com informações do G1/BAHIA

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