Na linha do bem, prefeitos fazem da guerra à Covid cabo eleitoral

Prefeitos sabem, e dizem, que dos 5.568 municípios brasileiros, em torno de mil, especialmente na Amazônia, nunca tiveram acesso à internet. Outros mil têm acesso precário. Mas, justa ou injusta, em 2020, ano de eleição com pandemia, as redes sociais vão ser a grande ferramenta da campanha, na maioria, a única.

Na UPB, a busca de orientação por parte de prefeitos para a contratação de profissionais do ramo cresceu. Até porque, em tempos de pandemia, comunicação é fundamental, ainda mais numa campanha eleitoral.

Orlandinho — Prefeito pela terceira vez e candidato à reeleição, Orlando Peixoto Filho (PT), prefeito de Cruz das Almas, travou as entradas da cidade, equipou-se, impôs o isolamento e agora colhe os frutos: com 38 casos, 21 resolvidos, 17 ativos, tem o menor índice da Bahia entre as cidades de médio porte. E a campanha eleitoral, como fica?

– É muito complexo tudo isso. Temos uma crise econômica, outra sanitária e um embate político. Eu percebi isso e decidi focar meus esforços no combate ao corona, o monitoramento dos que tiveram contato com infectados, isso tem dado boa resposta.

E a eleição?

– A eleição é consequência. O povo terá uma boa oportunidade de julgar o nosso desempenho.

Orlandinho sintetiza o sentimento entre os mais de 200 prefeitos que vão disputar a reeleição: eficácia agora é fundamental como cabo eleitoral.

Alba fica em recesso pleno

Depois de passar mais de um mês funcionando online e mesmo assim ver a Covid invadir a casa e infectar 20 dos poucos 30 funcionários que iam lá (com uma vítima), a Assembleia resolveu dar um tempo de fato e de direito no embalo do recesso de julho.

Até porque o presidente da Casa, Nelson Leal (PP), viu o vírus de muito perto, testou a primeira vez, deu negativo, alguns dias depois negativo de novo, pegou a família e sumiu.

Evangélicos na pandemia

O vereador Luiz Carlos (Republicanos) apresentou projeto na Câmara de Salvador que pretende regulamentar o funcionamento de templos evangélicos, proibidos de funcionar desde meados de março, em tempos de pandemia.

Nos arredores de Salvador, pequenas igrejas evangélicas fecharam. Não aguentaram um mês de crise e alguns pastores dizem que após a pandemia muitos vão ter que se reciclar, se quiser sobreviver ao novo normal.

O epicentro do Extremo Sul

Na videoconferência que realizou ontem durante quatro horas com 19 prefeitos do Extremo Sul da Bahia, Rui Costa deixou claro que diante dos números altos não há outra alternativa senão endurecer o jogo mais uma semana.

—Olhei a média dos últimos cinco dias e os números ainda estão muito elevados. Não há outro jeito.

Teixeira de Freitas, com 446 casos, 33 novos ontem, e três mortos, é tido como o epicentro do Covid lá.

Eures chama a PM para isolar paciente positivado

Eures Ribeiro (PSB), prefeito de Bom Jesus da Lapa e presidente da UPB, passou o dia anteontem mergulhado num problema atípico: um morador testou positivo para a Covid, mas a família se recusava a liberá-lo para uma UTI em Barreiras, vaga já reservada, esperando-o.

Após muitas tentativas de negociações fracassadas, Eures decidiu chamar uma viatura da PM para fazer a escolta. E depois usou as redes sociais para explicar:

– Ele precisa ser transferido e essa não é uma decisão da família.

Com 30 casos positivos, Eures está em guerra aberta contra o transporte clandestino de passageiros, que, segundo ele, levou a Covid para lá. E já ameaçou até tocar fogo em vans.

Levi Vasconcelos/Colunista A Tarde/colunalevi@gmail.com

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