Conheça os alvos da ação do Facebook contra contas falsas

A lista de alvos da ação do Facebook que removeu uma rede com 73 contas ligadas à família Bolsonaro vai de assessor especial do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a servidores das assembleias legislativas do Rio e de São Paulo.

Foram removidas 35 contas do Facebook e 38 do Instagram que, segundo a empresa, atuaram para manipular o uso da plataforma antes e durante o mandato de Bolsonaro -incluindo a criação de pessoas fictícias que se passavam por repórteres.

O principal alvo é Tércio Arnaud Tomaz. Pupilo do vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), ele foi colocado no governo pelo filho do presidente para ajudar nas estratégias de mídia social. É um dos integrantes do chamado “gabinete do ódio”.Tércio Arnaud Tomaz, 33 anos

Tércio é assessor especial da Presidência da República. É um dos homens de confiança do presidente e viaja constantemente nas comitivas presidenciais. É ligado diretamente ao vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), de quem já foi assessor na Câmara dos Vereadores do Rio.

Tércio é um dos três integrantes do chamado “gabinete do ódio” responsáveis por monitoramento e estratégias digitais do presidente. Recebe cerca de R$ 14 mil e ocupa imóvel funcional. Ele controlava a conta no Instagram @bolsonaronewsss, que é anônima e tinha 492 mil seguidores e mais de 11 mil posts antes de ser derrubada. Uma página no Facebook chamada Bolsonaro News compartilhava o mesmo conteúdo.Paulo Eduardo Lopes (Paulo ChuChu), 39 anos

Paulo Eduardo Lopes, conhecido como Paulo Chuchu, é o líder do Aliança pelo Brasil em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. É secretário parlamentar do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) na Câmara e recebe salário de R$ 7.800.

Paulo Chuchu registrou um site chamado Brazilian Post, que teve suas páginas no Facebook e Instagram removidas. Os sites promoviam a Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro tenta criar, e atacavam rivais dos bolsonaristas e a mídia. Chuchu se diz coordenador do futuro partido na região de São Bernardo do Campo.Carlos Eduardo Guimarães, 45 anos.

Carlos Eduardo Guimarães é um dos mais antigos assessores do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) na Câmara. Atualmente, recebe mais de R$ 15 mil. Durante a pré-campanha do presidente Jair Bolsonaro, Eduardo era um dos responsáveis por cuidar da interlocução com a imprensa.

Segundo dados da CPMI das Fake News (comissão parlamentar mista de inquérito), era o proprietário do perfil “Bolsofeios” e usa computador da Câmara para ataques a desafetos da família Bolsonaro.Leonardo Rodrigues de Barros Neto, 33 anos

Leonardo Rodrigues de Barros Neto, conhecido como Leonardo Bolsoneas, criou as páginas “Bolsoneas” no Facebook e Instagram, também banidas pelas plataformas. Apoiador do presidente Jair Bolsonaro desde 2006, é apontado como um dos mais importantes influenciadores do bolsonarismo nas redes sociais.

Até abril de 2020, ele era assessor da deputada estadual Alana Passos, do PSL do Rio, com um salário de R$ 5 mil. Bolsonaro já enviou vídeos para o site Bolsoneas elogiando Leonardo e cumprimentou Vanessa pelo aniversário dela. A página no Twitter do Bolsoneas também é investigada no inquérito do STF sobre fake news.Vanessa Navarro, 34 anos

É namorada de Leonardo Bolsoneas e trabalha no gabinete do deputado Anderson Moraes (PSL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio, com um salário de R$ 2,6 mil.

Segundo o levantamento feito pelo Facebook e por pesquisadores, Leonardo Bolsoneas e Vanessa Navarro estavam ligados a pelo menos 13 contas que usavam variações de seus nomes. Elas eram usadas para postar conteúdo pró-Bolsonaro em grupos.Jonathan Willian Benetti, 29 anos

Apontado como outro operador do esquema, segundo o levantamento, é ligado ao deputado estadual Coronel Nishikawa (PSL-SP). Na Assembleia de São Paulo, tem o cargo de secretário especial do parlamentar, com um salário de R$ 12,6 mil. Especialista em análise de dados.

Levantamento do Laboratório Forense Digital do Atlantic Council em parceria com o Facebook aponta ligação de Benetti com contas falsas para aumentar a audiência de Nishikawa. Duas contas identificadas faziam alusão à proximidade do parlamentar com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).Entenda a derrubada do Facebook

A rede social de Mark Zuckerberg, que no momento sofre pressão global com o boicote de centenas de empresas no mundo, divulga desde fevereiro um relatório mensal sobre o que chama de “comportamento inautêntico coordenado”.

Segundo as políticas de uso da rede social, comportamento inautêntico é caracterizado pelo uso de contas falsas, aumento artificial da popularidade do conteúdo ou envolvimento em comportamentos que violem outros termos de uso da rede social.

Não é permitido, por exemplo, compartilhar uma conta do Facebook entre várias pessoas ou ocultar o objetivo de uma página enganando usuários sobre o controle dessa página. O chamado “comportamento coordenado” considera várias contas falsas como parte central da operação e pode incluir, segundo os termos de uso, participação de interferência estrangeira ou não governamental.

No caso do Brasil, foi uma combinação de contas duplicadas e falsas.

A empresa intensificou esse tipo de investigação interna depois de casos de interferência internacional em processos democráticos, como no Brexit e nas eleições americanas.

O Facebook diz que toda a operação não é focada no conteúdo das publicações, mas no comportamento delas, a fim de assegurar que não está censurando pessoas.

Além da derrubada de contas e páginas no Brasil, o Facebook eliminou redes no Canadá e no Equador, que miravam o público da Argentina, Venezuela, El Salvador, Equador, Uruguai e Chile (que investiram US$ 1,38 milhões em anúncios), e nos Estados Unidos. (Folhapress)

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