Centro de Sismologia da USP confirma tremor no Recôncavo Baiano

Após o Observatório Sismológico da Universidade de Brasília dizer que nenhum abalo de magnitude relevante foi detectado na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, na noite da última quarta-feira (19), o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) confirmou que ocorreu um ‘pequeno sismo’ na região de São Félix, vizinha de Cacheira. 

O tremor, segundo o órgão, aconteceu às 18h51 no horário de Brasília, e teve magnitude de 1.6 mR. “O tremor foi registrado em 2 estações sismográficas da RSBR e foi localizado com a ajuda de pessoas que sentiram o tremor e mandaram seus relatos pra gente”, divulgou o Centro, em nota.

O Centro de Sismologia esclareceu ainda que tremores pequenos são relativamente comuns no Brasil e podem ocorrer em qualquer lugar. “Normalmente não trazem nenhum perigo a não ser um pouco de susto a população. Não é possível saber a natureza ou a causa destes pequenos abalos. Normalmente são causados por pressões geológicas naturais presentes na crosta terrestre”, diz o texto divulgado pelo grupo de pesquisa nas redes sociais. 

O professor de geologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Carlos César Uchoa de Lima, afirmou que os tremores terra começam a provocar danos a partir de uma magnitude de 5 mR. De acordo com o especialista, a Bahia comumente registra terremotos de até 4 mR, o que ainda é considerado baixo.

“Um sismo começa a provocar algum dano verdadeiro na superfície, como destruir casas, a partir de uma magnitude de 5 mR, que ainda é fraco e causa destruição se ocorrer muito próximo da superfície”, disse Lima.

O tremor foi baixo, mas assustou os moradores da cidade. O professor explica que dois fatores podem ter ampliado a sensação de tremor: a intensidade do sismo e a localização das moradias de quem sentiu a casa tremer. “A magnitude mede a quantidade de energia liberada pelo terremoto, já a intensidade é o poder de destruição. A rocha que causou o tremor pode ter se rompido muito perto da superfície, o que aumentou um pouco a intensidade do tremor. Na partes mais altas da cidade, normalmente, acaba tendo mais a propagação das ondas sísmicas, o que faz com que as pessoas as sintam mais”, explicou o estudioso.

Essa não é a primeira vez que um tremor é registrado na região do recôncavo, na verdade, de acordo com o professor, a ocorrência dos sismos é comum. “A zona sismogênica propensa a ter terremotos e tremores de terra é próxima a Baía de Todos os Santos porque existem falhas geológicas abaixo da água da baía. Quando as falhas acumulam tensão e quando se rompem um pouco cada rompimento de bloco rochoso vai ter um pequeno terremoto”, informou.

A secretária de Obras e Meio Ambiente de Cachoeira, Rafaella dos Santos, afirmou que o tremor não causou destruição na cidade. “Ninguém entrou em contato com a prefeitura para fazer reclamação e pedir ajuda, os prédios antigos daqui estão intactos”, afirmou.

A prefeitura de Cachoeira afirmou nesta quinta-feira (20) que acionou a Defesa Civil para que faça uma análise após os relatos de tremores de terra sentidos pela população. Em contato com o Observatório Sismológico da Universidade de Brasília e com a Defesa Civil Nacional, houve a informação de que nenhum abalo de magnitude relevante foi detectado na cidade, disse, mais cedo, a gestão municipal.

O observatório afirmou em nota que fez uma busca entre estações que cobrem, respectivamente, mais de 200 km e mais de 300 km de distância, e nada foi localizado. “Com essa cobertura é possível detectar, com certeza, qualquer evento com magnitude superior a 2 mR. Sendo assim, podemos afirmar que não foi registrado nenhum evento em Cachoeira nesse período com magnitude superior a 2. Se houve um terremoto, foi pequeno (baixa magnitude) e não foi possível registrá-lo”, afirma.

Por conta do episódio, a prefeitura também entrou em contato com a Votorantim Energia, empresa que administra a barragem Pedra do Cavalo, e foi informada que não houve no local nenhuma alteração de funcionamento que pudesse justificar o tremor sentido.

A Votorantim informou que “não houve nenhuma anormalidade, ou o registro de ocorrência em relação às operações da UHE Pedra do Cavalo na noite do dia 19/08. A Usina segue operando normalmente”.

Relatos de tremores
Moradores da cidade de Cachoeira, no Recôncavo, relataram que sentiram um tremor de terra no município na noite desta quarta-feira (19). Alguns relatos incluem telhas no chão, móveis balançando e um forte estrondo. 

Ao CORREIO, o funcionário público Leonardo Marques, 30 anos, compartilhou que ouviu um barulho e, logo em seguida, sentiu o tremor na sua própria casa, que fica no Curiachito, no Centro da cidade. Vários amigos dele também relataram ter ouvido um estrondo e terem sentido tremores no chão. Na famosa Ladeira da Cadeia, moradores relataram que sentiram os tremores com mais intensidade.

“Cheguei em casa entre 18h30 e 18h35 e senti um tremor pequeno, uma zoada, vindo da terra. Minha cristaleira é de vidro e ela deu até uma balançadinha. Fui na porta ver se era um caminhão pesado passando e não era. Depois, minha irmã de Santo me ligou e disse que na casa dela tremeu tudo. Tiveram lugares que foi pior. Na Ladeira da Cadeia mesmo, ela me contou que tremeu tudo. Ela foi pra porta com medo. Depois minha prima me ligou e disse que aconteceu a mesma coisa. Sentiu um tremor e uma zoada, tipo de um impacto”, contou ele, que é coordenador da Retran de Cachoeira.

Alguns minutos depois, ele fez uma publicação no Facebook, por volta das 19h30, comentando o ocorrido e recebeu centenas de curtidas, compartilhametos e relatos. “A Terra tremeu em Cachoeira a poucos instantes. Na Ladeira da Cadeia, teve gente sentindo até os móveis tremer. Vamos ver o que está acontecendo em nossa cidade”, escreveu ele. 

“Coloquei no meu Facebook pra alertar. Pra ver se as autoridades competentes falam pra gente o que foi. Está todo mundo com medo, porque aqui tem uma barragem. A Votorantim [que gere a Barragem da Pedra do Cavalo] soltou umas notas dizendo que ia fazer uns testes para abrir as comportas, que ia deferir bastante água e não aconteceu nas datas. E tem acontecido muitas chuvas no Rio Paragaçu. A barragem fica acima do nível da cidade e aí fica todo mundo com medo. Pode ter sido um abalo sísmico, mas as autoridades precisam ver o que realmente aconteceu, porque a cidade toda sentiu. Uns impacto pouco, outros maior, mas todos sentimos. Aí está todo mundo em pânico”, relatou Leonardo.

A professora Andrea Falcão, 44, também contou que sentiu o chão tremer de forma intensa.”Por volta das 18h30, sentimos como se fosse um impacto muito grande. O chão tremeu de forma intensa”, falou ela, que mora no Centro da cidade. Andrea também recebeu relatos de amigos que moram em diversos bairros de Cachoeira. Só se fala nisso na cidade.

Na publicação de Leonardo, a moradora Bruna Barreto cogitou que o tremor pode estar relacionado a tubulações de gás. “A gente tem que lembrar que aqui embaixo da nossa cidade passam tubulações de gás”, disse. Outros lembraram que existe uma pedreira bem perto da usina. Uma funcionária do setor administrativo da pedreira não quis se identificar, mas garantiu que não há anormalidades no local. (Correio da Bahia)

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