Secretário de Segurança Pública diz que policiais envolvidos na morte de jovem em São Félix foram afastados

(G1/BAHIA) – O Secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, disse, em entrevista à TV Bahia, nesta segunda-feira (7), que os policiais envolvidos na morte do jovem de 22 anos que morreu durante em uma ação da Polícia Militar, na cidade de São Félix, no recôncavo baiano, foram afastados.

“Determinei o afastamento desses policiais para que nós tivéssemos condições de promover essas investigações de maneira mais isenta e célere possível. Para que aplicássemos as medidas necessárias à elucidação e, consequentemente, à responsabilização, caso fique confirmado que a situação não se deu da forma como os policiais narraram na forma da ocorrência”, disse o secretário.

O caso aconteceu na madrugada de domingo (6). Segundo familiares, Davi Oliveira foi morto quando retornava do trabalho, em uma motocicleta.

A PM informou, em nota, que ele havia disparado contra a guarnição durante tentativa de abordagem. Além disso, a PM disse que, com ele, foram apreendidos um revólver, dois tabletes de maconha, sete trouxinhas de maconha, 153 pinos vazios para acondicionamento de cocaína e uma motocicleta.

Segundo a Polícia Militar, com Davi foram apreendidos um revólver, dois tabletes de maconha, sete trouxinhas de maconha, 153 pinos vazios para acondicionamento de cocaína e uma motocicleta.

Familiares e amigos de Davi, no entanto, contestam a versão da PM. Eles dizem que o rapaz, que era barbeiro, voltava do trabalho quando a ação ocorreu e que nunca teve envolvimento com o crime. Uma tia do rapaz, Cíntia Pereira, disse que Davi estava indo deixar um colega em casa quando tudo aconteceu.

Segundo familiares, Davi era casado e deixou um filho de um ano. Na manhã de domingo e nesta segunda-feira (7), a população fez um protesto na cidade para pedir justiça pela morte do jovem. O grupo fechou a ponte Dom Pedro II, que liga São Félix a Cachoeira, e cobra investigações do caso e punição aos culpados.

Nas redes sociais, a Prefeitura de São Félix repostou uma publicação do prefeito Alex Aleluia, que prestou solidariedade aos familiares e amigos, e informou que está tomando providências sobre o caso.

“Ainda não sabemos ao certo o que aconteceu, mas por conhecer o histórico de um jovem trabalhador, tranquilo, querido por todos, nos entristece muito e causa indignação. Estou tomando as devidas providências para buscar entender o que houve, mas no momento meu sentimento é de pesar e de solidariedade a seus familiares, amigos e toda comunidade sanfelixta, que sofre com esse fato lamentável”, disse o prefeito, em parte da nota.

Um jovem, que preferiu não se identificar, contou a versão dele sobre a ação da Polícia Militar, que resultou na morte de Davi. Ele estava na garupa da moto que a vítima dirigia.

“Eu larguei Davi e subi correndo, porque eu sei que se continuasse lá, ele [policial] ia matar a gente. Eu corri, cheguei na ponta da ladeira querendo voltar, mas eu tenho certeza que se eu voltasse ele me mataria também, peço Justiça pelo o que aconteceu. Essa é a real história do que aconteceu. Se eu não corro, eu não estaria aqui para contar isso agora”, disse o jovem.

Em entrevista à TV Bahia, a mãe da vítima, Simone Pereira, disse que estava deitada no momento do ocorrido e ouviu os tiros.

“Eu não estava conseguindo dormir e levantei para tomar remédio de pressão. Eu falei com meu outro filho: ‘Neto, isso é tiro’. Ele falou: ‘é’. Eu fui e deitei e vi o povo gritando que mataram alguém. Uns 10 minutos, chegou aqui um menino: ‘Simone, Simone, mataram Davi’. Eu comecei a gritar, me desesperar e desci”, disse a mãe de Davi.

“Eles podiam abordar ele e não abordaram. Eles foram com a sede de matar”, completou a mãe da vítima.

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