Após ter auxílio emergencial nagado moradora de Cruz das Almas envia e-mail para orgãos do governo

(O GLOBO/IG) – “Estou desempregada e não possuo seguro-desemprego, preciso do auxílio emergencial para comprar alimentos.” O pedido da cozinheira Telma Maria dos Santos está em um e-mail enviado a órgãos como o Ministério da Cidadania. Ela não foi a única a tentar contato direto com o governo após ter o pedido pelo benefício negado, mostram mensagens eletrônicas públicas analisadas pelo GLOBO , mandadas também para o ministro da Economia, Paulo Guedes , e seus secretários.

Com a expectativa de renovação do programa, brasileiros que decidiram apelar diretamente às autoridades voltaram a ter esperança de receber o auxílio.

“Eu sempre trabalhei, sempre paguei meus impostos, na carteira era descontado. Agora neste momento em que a gente tá mais precisando, parado em casa, sem poder arrumar trabalho, as coisas só piorando, que a gente precisa de uma ajuda do governo, cadê? Não tem”, diz Telma.

Moradora de Cruz das Almas, no interior da Bahia, ela fez chegar sua mensagem por meio de Valdeni Martins, detetive particular e espécie de faz-tudo da cidade, que fica a 150 quilômetros de Salvador.

Ele presta serviço para as pessoas que necessitam do auxílio emergencial, mas têm dificuldade para lidar com a burocracia. Em troca de um valor pago apenas após o recebimento do benefício, o detetive reúne a documentação e faz os pedidos.

No e-mail enviado à Dataprev , órgão responsável pela análise dos requerimentos, Valdeni transmite o recado de Telma, que conta ser pobre, morando sozinha, e que o auxílio serviria para comprar alimentos. Nem assim conseguiu o benefício. O e-mail foi mandado em 23 de julho do ano passado. Hoje, ela diz não lembrar quando teve carne em casa pela última vez:

“Vivo de caridade, vou na casa da minha irmã, ela me dá um quilo de arroz, de feijão, e aí vou vivendo. Tomo remédio antialérgico que custa R$ 56 e não posso ficar sem”.

O próprio Valdeni, que aprendeu a lidar com os sistemas do governo para fazer os pedidos, teve o auxílio negado. O detetive mandou um e-mail ao gabinete de Guedes e a vários órgãos no fim de julho, relatando que estava desempregado e não tinha conseguido o benefício. Apesar disso, conta que conseguiu se virar em 2020:

“A gente sempre dá um jeito. É luta, na correria”.

Os dois pedidos, além da Economia, foram enviados ainda à Caixa e ao Ministério da Cidadania. Em resposta ao GLOBO, a pasta disse que nem Valdeni nem Telma se encaixavam nos critérios para receber o auxílio: “É importante reforçar que a segurança da operação foi premissa desde o início da operacionalização do pagamento do benefício.

“Para tanto, o Ministério da Cidadania firmou acordos de cooperação técnica com diversos órgãos dos três Poderes, incluindo as áreas de investigação e controle, para troca de informações, conhecimentos e bases de dados.”

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