Netflix Review: Resident Evil: No Escuro Absoluto – Temporada 1

Embora os esforços anteriores de Resident Evil nas telonas e telinhas tenham deixado a desejar, a série animada No Escuro Absoluto é um passo na direção certa. Embora o anime seja baseado nos populares games de zumbi que estão no mercado há mais de duas décadas, No Escuro Absoluto faz o que muitos dos games adaptados em séries ou filmes falham em realizar: contar uma história que pareça orgânica, além de recontar a história dos games em uma plataforma diferente. Mesmo com uma diferença notável de tempo de tela entre os protagonistas, as atuações fracas e animação pobre para alguns dos personagens secundários, No Escuro Absoluto acerta o suficiente para ser mais do que uma montagem de mortes de zumbis e complementa a história geral de Resident Evil de maneira considerável.

Cada um dos quatro episódios de cerca de 30 minutos da série tem uma história focada, mas que se interconecta com os demais de uma maneira interessante. Com isso dito, embora não seja necessário ter jogado os games para entender o que acontece nesse universo repleto de zumbis e conspirações, o anime não é o melhor ponto de entrada à franquia por causa da ambientação na lore existente: No Escuro Absoluto se passa entre os eventos de Resident Evil 4 e Resident Evil 5, com foco em Leon S. Kennedy e Claire Redfield (os protagonistas de Resident Evil 2). Certamente houve momentos em que entendi mais da história porque joguei os games, e os espaços em vazio que a série preenche na lore são enriquecedores.

O enredo de No Escuro Absoluto foca em Leon investigando uma misteriosa tentativa de hack na Casa Branca que levou à infiltração de zumbis na mansão do executivo. Enquanto isso, Claire, trabalhando em uma organização de direitos humanos do outro lado do mundo, encontra o desenho de uma criança que destaca um ataque zumbi. A conexão entre esses dois eventos é o que amarra os episódios de No Escuro Absoluto e junta Leon e Claire múltiplas vezes conforme eles realizam as respectivas investigações.

Não espere que No Escuro Absoluto seja um festival de ação desenfreado com muitas mortes de zumbi.

Embora a série se passe entre dois dos games Resident Evil mais focados em ação, não espere que No Escuro Absoluto seja um festival de ação desenfreado com muitas mortes de zumbi. A verdade é que poucos zumbis e armas biológicas são mortas durante os quatro episódios, mas a série aproveita ao máximo essas oportunidades para demonstrar o espetacular gore. Há uma cena específica em que Leon elimina uma arma biológica ao esmagá-la com um extintor de incêndio que me fez perder o apetite — isso é raro para mim, e olha que eu assisto muitos filmes e séries de terror.

Em vez de cenas de ação e massacres de zumbis, o enredo é movido pelo diálogo, o que achei uma melhoria considerável quando comparado com os roteiros entregues pelos filmes de Resident Evil, tanto os animados quanto os live-action. Isso ajuda a desvendar os segredos e conspirações que levam ao clímax da série e, novamente, ele faz isso sem exigir que você tenha um conhecimento profundo dos games. Há momentos em vemos flashbacks que fornecem contexto; de início, fiquei confuso com alguns personagens secundários e como eles se conectavam à trama, e até a sequência de abertura me deixou perplexo. No entanto, as trocas de diálogos entre personagens e a informação transmitida nessas interações logo me deixavam à par da situação sem parecer forçado ou apressado.

Conforme os episódios passam, Leon tem mais tempo de tela do que Claire, o que é discutivelmente exigido pelas circunstâncias da história, mas chega ao ponto em que fica destoante: no episódio, eu sentia que Claire fazia parte da aventura de Leon. Sim, ela tem a própria investigação, mas ela se torna mais uma personagem de fundo que, por acaso, interage com Leon.

Em vez de cenas de ação e massacres de zumbis, o enredo é movido pelo diálogo.

Apesar disso, eu me senti interessado pela história que a série tinha para contar. O anime tem a própria identidade e fica claro onde ele se encaixa no cânone dos games, especialmente porque, além de estar claramente conectado, também serve como uma história própria e não algo criado para suprir a necessidade de uma série de Resident Evil. Embora o anime não explique a história dos vírus que produzem as armas químicas com as quais fãs dos games estão acostumados, simplesmente não é preciso.

Resident Evil: No Escuro Absoluto brilha porque ele mostra o peso emocional e as consequências que essas armas têm em cada pessoa. Há até um momento em que Leon explica o quão nervoso e assustado ele estava após sobreviver o surto em Raccoon City. Pensando sobre isso, essa falta de introspecção foi algo que senti como problemático em Resident Evil: Degeneration, Damnation e Vendetta. Os filmes estavam tentando recriar uma experiência de games que você só podia assistir e nunca jogar, e sofreram muito em termos de roteiro, que não tinham motivo para existir.

Infelizmente, o que impede No Escuro Absoluto de ser ótimo é que ele falhou em me manter 100% envolvido. Desde o primeiro episódio, ficou muito claro quem seriam os personagens que ocupariam os papéis de antagonista nessa história. É claro pelas conversas e convicções que eles têm com personagens específicos em cenas específicas que eles são os responsáveis por tentar destruir as investigações de Leon e Claire. Não há suspense ou reviravoltas dramáticas. Entretanto, No Escuro Absoluto compensa isso ao entregar histórias de fundo interessantes e razões para os motivos dos vilões.

É claro quem tentará destruir as investigações de Leon e Claire.

Os atores que interpretaram as vozes de Leon e Claire no remake de Resident Evil 2 reprisam os papéis em No Escuro Absoluto e fazem um trabalho fantástico, representando um crescimento significativo comparado às atuações dos filmes animados anteriores de Resident. Os personagens de apoio também têm boa atuação, na maioria, embora algumas cenas passam do limite do aceitável e vão para o risível. (Patrick, um agente novato, parece uma ameba perdida — ele é cartunesco demais e eu não consegui conter o riso nos diálogos dele.)

A animação é boa, com exceção do presidente americano — eu achei a atuação e animação dele já que ele se movia e agia como um action figure de plástico, o que foi destoante dos demais personagens em tela. De modo geral, No Escuro Absoluto é consistente com movimentação de qualidade e expressões faciais dos personagens, e vozes que se encaixam ao movimento das respectivas bocas. (Isso é algo que não pode ser dito sobre os filmes CG de Resident Evil, especialmente Degeneration.)

Tudo é embalado por um ritmo satisfatório sem ser apressado para encaixar tudo em duas horas de série, mas, ao mesmo tempo, um momento perto do fim do episódio final me deixou com a sensação de que havia mais história para ser contada. Se você já jogou Resident Evil 5 e sabe onde a história vai daqui, eu me pergunto se uma segunda temporada poderia explorar algumas das brechas que essa deixa em aberto. (IGN.COM)

*Traduzido por: Bruno Yonezawa

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